Como transformar a leitura em um ritual de reconexão consigo mesma?
Existe um caminho simples de volta pra si — Como transformar a sua leitura em repertório, não esquecer o que acabou de ler e se aprofundar de verdade nos livros.
Enquanto existe um grupo de leitores que valoriza o excesso, nós corremos pro lado oposto. Existe um mito que todas nós caímos em algum momento da vida, que é o “eu preciso ler mais esse ano” e não séria surpresa se eu te dissesse que é normal esse pensamento aparecer constantemente, já que estamos vivendo em um ambiente digital saturado sobre quem faz mais, os livros, ao invés de serem uma fuga para fugir do excesso, e descanso mental, acaba virando só mais um para performa produtividade. Já que é bonito dizer que leu muitos livros em um mês.
O problema, é que esse excesso e essa cobrança para ler mais, além de nos afastar da construção de um bom hábito, acaba virando só mais excesso de informação, e como resultado, nem lembramos direito do que acabamos de ler, quando vamos conversar sobre ou explicar algo, a mente fica em branco — e ai, você percebe que os 30 livros que leu em um mês, não te trouxe nada significativo, além de validação externa.
O excesso não garante nada, só performance. Quando decidimos ler por ler, por prazer, por estar realmente envolvida com a história, a leitura além de se tornar um ritual de presença, também nos dá a oportunidade de aumentar nosso repertório de palavras e cultural, melhorar a comunicação, e servir de boa referência para textos, redação, conversas profundas. Ou seja, nos tornar alguém mais inteligente e interessante (principalmente para nós mesmas)
Nesse artigo, não falaremos sobre ler mais, e sim sobre ler melhor — e posso te garantir que, ler mais é a consequência de ler melhor. Por que quando decidimos nos aprofundar de verdade na leitura, queremos mais e mais!
Antes de tudo, entenda: O processo não é nada linear!
Se aprofundar, absorver de verdade um bom livro exige escuta interna, atenção, paciência, e presença. Na prática, esse processo pode ser doloroso e um pouco caótico, já que estamos a todo momento absorvendo milhares de informações através das redes sociais. De acordo com a neurociência, o nosso cérebro sem esforço de memorização, ele tende a apagar informações que considera irrelevantes e informações irrelevantes, resulta em cansaço mental, falta de foco, ansiedade — Através dessa informação, também já conseguimos engatar outro pilar da leitura significativa: É importante que você leia todos os dias, e por isso, a escolha do livro vai impactar diretamente na sua leitura diária.
Ler livros escritos por outras mulheres, gera identificação. E isso pode ajudar significativamente nossa memória. Já que a nosso cérebro recorda com mais facilidade algo que associamos a um contexto ou que tenha importância emocional.
“O cérebro guarda apenas fragmentos do que aconteceu e, na hora de montar o quebra-cabeça das lembranças, contam as emoções e a maneira como a pessoa percebeu o fato ocorrido. Quem tem memória é o computador. O que nós temos são vagas lembranças”
afirma o neurofisiologista Luiz Eugenio Melo.
(confira as fontes no final do post)
Slow Reading: Leitura lenta.
Depois que decidimos que a leitura não vai ser só mais um hábito automático, do “faço porque precisa ser feito”, e sim uma construção diária de um hábito consciente, a leitura lenta entra como o primeiro caminho possível para essa conexão real com os livros.
Existem clássicos como Clarice Lispector, Fiódor Dostoiévsky, Franz Kafka, Simone de Beauvoir, que vão te exigir mais atenção, presença e interesse genuíno.
Já existem livros com linguagem mais fácil e leve, que conseguimos ler de forma mais rápida. Mas, a ideia é que criamos em nós mesmas, calma e paciência, até com os livros mais fáceis.
Uma leitura significativa e real, exige pausas para absorver o que foi dito, questionamento para entender “onde isso me afetou?” “Como eu me sinto em relação ao que acabei de ler?”
E assim, além de todos os benefícios, os livros também viram um encontro consigo mesma e com nossas emoções, vulnerabilidades e sentimentos, controle de ansiedade.
Interesse genuíno & curiosidade
“Não tenho talentos especiais. Sou apenas apaixonadamente curioso.”
— Albert Einstein
Sem curiosidade ou interesse, qualquer coisa que nos disponhamos a fazer durante a vida, tendemos a abandonar durante o processo ou fazer só por fazer. Acontece o mesmo com os livros, um livro lido sem interesse vai virar só informação sem profundidade.
E assim, a gente entra no proximo pilar:
Leia o livro que você QUER LER.
Eu sei que parece óbvio, mas tendemos a começar a ler o livro hipado que todos estão lendo. E não que isso seja errado, afinal, quando alguém nos indica um livro passamos a criar um interesse genuíno. Mas, se sempre nos deixamos influenciar pelo o que a maioria está fazendo, também tem a chance de nos frustar com a leitura e abandonar. Por exemplo, você não precisa começar lendo “A metamorfose” de Franz Kafta, você pode começar a ler um que você sabe que vai se apaixonar. Ou até reler um antigo, e assim absorver coisas novas que passaram batido antes. Um bom livro, por mais que já tenhamos lido, nos mostra caminhos diferentes em cada releitura.
Transforme seu momento de leitura em um ritual.
Uma respiração consciente, uma boa iluminação, uma bebida quente, um incenso, um aroma, uma música lenta. Faz total diferença no nosso momento de leitura, consagrar o momento de leitura resulta em: aprender há viver uma vida mais lenta, conexão interna consigo mesma, dopamina lenta, sensação de bem estar e aconchego.
Esse é o pilar principal do nosso clube do livro. Aos encontros, você vai aprender a criar seus próprios rituais de leitura, respeitar seu ritmo, respirar consciente com a nossa prática de PRC, e seguir um caminho que faz sentido pra você e pra quem você está se tornando.
Faça anotações, crie um diário de leitura.
Nada nos marca mais do que juntar os dois melhores hábitos para desacelerar e viver uma vida com mais significado. A leitura e a escrita andam lado a lado — Criar o ritual de ler e escrever, sem performance, sem perfeccionismo, pode mudar significativamente a sua relação consigo mesma.
O diário coletivo do nosso projeto RITOEBOOKS, parte desse princípio de real conexão e construção com hábitos conscientes, incentivamos as nossas leitoras a criar um diário e anotar sentimento, sensações, palavras diferentes (afim de aumentar repertório), e nos encontros abrir espaço para compartilhar, sentir e expor nossas vulnerabilidades.
Fale sobre o que você acabou de ler.
Compartilhar a leitura com quem leu o mesmo, resulta em diferentes insights e o sentimento de “não tinha pensando por esse lado” — através de discussões que estimulam analise, interpretação e construção de ideias próprias, a longo prazo, desenvolvemos um pensamento com mais clareza e menos confusão.
Trocar sobre o que acabou de ler, é definitivamente a melhor maneira de construir repertório, mudar de opinião, gerar identificação com outras pessoas e se conectar de verdade com os livros. E tudo isso fica ainda mais especial quando criamos um espaço onde reunimos mulheres para ler, escrever e pensar juntas!
As nossas inscrições para o clube do livro já estão abertas, e se você se identificou com tudo o que apresentamos aqui, e sentiu o chamado, talvez esse espaço seja pra você! Já estamos funcionando e trocando bastante no nosso grupo.
⭐️ Acesse, se inscreva e vem pertencer: www.ritoebooks.com
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Fontes de pesquisa:
Quanta informação o cérebro pode armazenar?










Estou nessa luta para transformar de novo a leitura em um ritual de mim comigo mesma, mas não sei se eu conseguiria fazer essa parte de anotação, acho que acabaria tirando o prazer da coisa, por mais que eu a me escrever, mas sério, eu tava precisando tanto ler algo assim, igual esse artigo, que me ajudou muito! pretendo algum dia poder fazer parte desse clube do livro!!